A LUZ ABERON
Criada inicialmente no ano de 1.105 a.C. por
Figuiel filho de Guilarda, guerreiro de renome na pequena cidade de Ascárci,
próxima de Sídon, Cidade-Estado Fenícia. Figuiel organizou esta ordem com o
intuito de servir o Rei em assuntos bélicos e reforçar o exército contra
eventuais embates com a civilização helênica. Entretanto, seus motivos foram
alterados quando sua esposa, Helian, foi assassinada por Ahmabdu, um feiticeiro
a serviço de Alan-Aldeque, um homem que dizia ser recipiente de um demônio de
mesmo nome. Furioso, ele organizou seus setenta guerreiros e os enviou em uma
cruzada para derrotar tal guerreiro.
Dos setenta, apenas doze retornaram vivos e
declararam a batalha diante de Figuiel. Estes doze foram os guerreiros
escolhidos para serem a sua guarda pessoal. A cabeça de Alan-Aldeque foi
entregue e o Rei foi vingado. Satisfeito, o monarca institui a ordem de Figuel
para que protegesse o reino de ameaças demoníacas. Nascia aí o que seria mais
tarde chamada de Ordem dos Aberons. Até então a Luz Aberon, cujo termo luz foi
adicionado com fim de significar o fim das trevas do medo, não passava de uma
ordem de defesa.
Com o passar dos anos, os doze guerreiros se
uniram e formaram um conselho deliberativo, nascia assim a autonomia da ordem
em assuntos internos. Não mais qualquer um era admitido em suas fileiras, pois
tinham antes de provar suas aptidões e serem destemidos. Uma série de testes
foi organizada e as rotinas diárias de treinamentos aliadas as filosofias
pacifistas e sempre tão ligadas aos conceitos de bem e mal, fizeram com que os
membros se considerassem em uma missão.
Esta missão era disseminar a doutrina Aberon
por todos os cantos do mundo, criando ordens semelhantes com o intuito de gerar
guerreiros poderosos o bastante para aniquilar perigos demoníacos onde quer que
estivessem. Um ideal onírico que foi rapidamente desconsiderado pelas
autoridades, que desejavam os Aberons, guerreiros extremamente habilidosos nas
linhas de frente de combates territoriais. Isto confrontou as idéias de um já
velho Figuel, mas seu irmão mais novo, Aru Basda, queria obedecer o Rei e
seguir em frente com uma ordem militar bem treinada e especializada em ritos
mágicos que aumentassem sua efetividade. Isto fez com que Figuiel expulsasse
seu irmão.
Aru Basda foi expulso da cidade e vagou pelo
deserto, onde nas colinas encontrou-se com Ul-Aubarca, um demônio. Segue-se o
trecho do diálogo recuperado de um manuscrito de mesma época:
- Por que vaga, grande
Aberon?
- Não mais sou Aberon e se
vago é porque não tenho nada.
- Prata e ouro eu te dou,
se me seguir em tua vingança. Desejo de teu coração não pode ser negado.
- Ai de mim! Demônios me
tentam, mas o que eles sabem sobre meu coração?
- Sei que deseja o poder de
teu irmão. Anda, vem e me segue. Prata e ouro eu te dou, se me seguir em tua
vingança.
- O que deseja que eu faça?
- Faz para ti ordem forte e
institui-me como conselheiro. Só assim terá o poder para confrontar o teu
irmão.
O pacto proposto por Ul-Aubarca foi necessário
para que Aru Basda criasse uma ordem oposta a Luz Aberon, a Bashda-Nímem.
Rapidamente ela criou um foco para a crença em que das artes mágicas o
verdadeiro poder se alcança. Formou-se o primeiro inimigo da Luz Aberon.
Figuiel morreu e seu sucessor, Cáliba não era
pertencente a sua família, o que fez seu filho Argen unir-se ao tio gerando um
cisma na família. Cáliba organizou a Luz Aberon em dois grupos distinto: A Casa
Trígide e a Luéstia. A primeira seria a ordem de Ataque e a segunda, o conselho
deliberativo. Após isto as outras ordens de Aberons pelo Oriente - Médio imitaram
esta iniciativa, contudo, reservando à Luz Aberon o poder quanto ao seu
conselho mais influente a Casa de Luéstia.
Desta forma nasceu a primeira sede da Luz no
deserto da Judéia, vista a impossibilidade da mesma manter-se em algum reino,
uma vez que a procura por seus soldados especializados tornava a relação com
eles turbulenta. Com a credibilidade em baixa, em algum momento do século XII
a.C. surgiu a grande Praga Divina, o Radha-Ren.
“Poucos
são aqueles que viram o terror verdadeiro da Ira de Deus. E aqueles que viram a
sua forma mais temível, encontram o conforto para suas almas no silêncio de
suas tumbas. Na babilônia, o grande mal obteve seu triunfo, e o triunfo do mal
é sua própria destruição (Capri, 1378)”
A
criatura Radha-Ren, cujo nome significa “Anda e Mata” abalou aquelas terras.
Nenhum exército humano lhe fazia frente e todos os que ela encontrava,
mastigava-lhes e vomitava sua carne e ossos. O Egito enviou vinte mil
guerreiros, mas o terror visto pelo general Asuer fez com que o faraó fechasse
as fronteiras. A região da mesopotâmia sofreu com os desabrigados e milhares de
animais foram dados em sacrifícios para os deuses para aplacar a fúria da Fera
das Eras.
Contudo,
após o surgimento da criatura, um homem foi convocado. Era Abel, o Grande
Aberon, que assumindo a tarefa, caçou e destruiu a criatura com suas próprias
mãos. Abel era um leproso que vivia nos arredores da região chamada Judéia, em
um vale junto com mais de mesma doença. Ele foi eleito por Deus para que em sua
fraqueza e pequenez, assumisse Sua força e assim provar que o fraco será o
forte. Enquanto com o poder de Deus em suas mãos, Abel foi curado da lepra e
partiu em uma jornada para reunir doze valentes que deveria acompanhá-lo na
luta.
Doze
homens, Aberons e comuns foram chamados. Enquanto isto, o exército do grande
Jotan, um poderoso e ascendente general fenício, marchou com cinqüenta mil
homens e sacerdote, bruxos e feiticeiros afim de destruir a criatura. Quando
Abel chegou ao local, nada viu senão as carnes e os abutres, que se fartavam
com o banquete no deserto. Ali, Abel encontrou a criatura e com ela teve uma
luta tão devastadora que mesmo os 4 Ventos, os 4 Arcanjos Interventores subiram
de seus esconderijos e protegeram a terra da destruição. 7 horizontes por 7
horizontes, foi a área da batalha no deserto.[1]
A
luta terminou e a criança corrompida pelo Sangue Negro do Radha-Ren foi
purificada e a criatura morreu. Abel sepultou a criança e emergiu vitorioso do
deserto, contudo, a lepra de seu corpo voltou e ele, isolado, permaneceu
afastado do mundo por dez anos.
Com
a vitória do Aberon, o mundo passou a respeitar os Aberons e a Ordem acumulou
grandes fortunas. Várias ordens menores foram instituídas pelos quatro cantos
do mundo e jamais a Luz esteve tanto tempo com tamanho respeito. Dez anos
depois, outro grande mal surgiu no mundo, outra ameaça tão perigosa quanto
Radha-Ren, contudo, para o mundo da Magia. Era a ascensão de Dríacon Shamash
Apsu Tiamat Salash Apohis, o Draco Salash, Dragão Salash[2]
que veio ao mundo com a intenção de destruir Abel.
Por
dois anos Salash assolou o mundo, reunindo para si as forças mais perigosas da
magia satânica unicamente para fazer frente a Abel. A luta foi cruel, diferente
da travada contra Radha-Ren, Abel não possuía o poder pleno de Deus para a
peleja. Doente, fraco e confiante unicamente em sua fé, Abel destruiu o corpo
de Salash, mas perdeu a vida após este feito. Ainda maior foi a glória da Luz
Aberon com esta façanha e assim ela ganhou a atração dos povos Não-Vistos.
OS QUATRO MARCOS DO MUNDO OCIDENTAL
Handa
Orlien, que viveu no ano de 432 a.C. em Cartago, sagrado como Luéstia, percebeu
o quão difícil era para a Luz agir sem a interferência dos reinos e impérios
que servia. Então teve a ideia de organizar a sede, fracionando-a em quatro
partes, criou os Marcos. Estas partes seriam sedes autônomas, contudo,
dirigidas pelo Conselho de Luéstia que se manteria espalhado até sua
convocação. Criou-se então os Quatro Marcos da Luz Aberon que foram nomeados de
acordo com as direções cardinais e receberam atribuições distintas e
localizações secretas.
Suas
estruturas eram sempre semelhantes, pois foram criados por métodos mágicos da
mesma natureza. Na superfície, um único bloco de pedra negra da altura de um
homem era visível, esta é a porta de entrada. No subterrâneo, uma torre
invertida descia cinquenta andares e em cada andar havia uma atribuição
específica que variava de Marco a Marco. Guardas faziam vigília em vários
turnos que variavam de dias a semanas e muitos eram os que trabalhavam nestas
estruturas encantadas, famílias inteiras poderiam viver ali e isto aconteceu
por diversas vezes.
O
primeiro Marco foi chamado de Marco do Norte. Localizado na Noruega, lidava com
a cópia de documentos, catálogos, diários e registros acerca de todo o que
ocorria no mundo conhecido. Seus diretores eram eleitos entre os mais sábios e
corajosos entre os demais e preferencialmente da recém criado Ordem de Corena.
Foi o Marco do Sul que criou a estrutura final da Luz Aberon que será estudada
mais a frente.
O
segundo Marco foi chamado de Marco do Sul, este lidava com os registros de
batalha, treinamento da parte mágica da Luz e suprimentos militares. Esta
função simples sofreu uma adição significativa, pois este Marco foi escolhido
para ser a sede de uma das Casas Tígides.
O
Terceiro a ser criado foi o Marco do Oeste, situado nas ilhas britânicas. Este
Marco foi de início considerado como a sede oficial da Luz Aberon, ao redor de
sua entrada foi criado um castelo que serviria para o treinamento dos jovens e
sua iniciação. A Academia da Santa Ordem, cuja estrutura situa-se acima da
entrada do Marco. Um ponto interessante é a estrutura deste Marco em especial:
Quando os cinquenta andares cessam, uma grande caverna subterrânea abriga um
lago cristalino sob uma placa oval de cristal, ali é onde o Conselho de Luéstia
se reúne para suas decisões.
O
quarto é o Marco do Leste, este situa-se em algum lugar entre o fim da Europa e
o início da Ásia, sua localização é um segredo, pois foi tomado por Salatiel,
um dos Quatro Grandes Arcanjos Interventores, afim de que seus segredos não se
espalhassem pelo mundo dos homens. Antes de tal evento acontecer, por volta do
ano de 1000 d.C., este Marco era onde todas as relíquias e documentos secretos
eram protegidos. Mesmo vários manuscritos da grande biblioteca de Alexandria
estavam lá e vários registros sobre os povos Não-Vistos e objetos de valores
mágicos inestimáveis. Atualmente é a sede de Lôsha Sendivatri, a ordem de
Salatiel.
A ATUAL ESTRUTURA DA LUZ ABERON
A
princípio a Luz Aberon era somente dividida entre o Conselho de Luéstia e seus
soldados. Com as reformas implementadas pelos que seguiam Handa Orlien,
percebeu-se que a Luz deveria ter uma forma fixa e ágil o bastante para que em
qualquer situação apresentada, detivesse soldados suficientemente treinados e
especializados. Estabeleceu-se a seguinte estruturação:
1.
AS TRÊS CASAS TRÍGIDES
São
três casas militares, chamadas de Casas de Ataque, estas seriam os braços da
Luz e agiriam fisicamente em seu nome realizando suas proezas. Como ordem
militar, seus integrantes seria treinados na Academia da Santa Ordem e
obedeceriam o Conselho de Luéstia e a Ordem de Corena, que seriam porta-vozes
tanto do Conselho quanto das próprias Casas caso seus membros estivessem longe
demais para apresentar-se.
Prima Casa Trígide, foi a
primeira Casa a ser criada. Ela é a mais rica entre estas ordens de ataque e
seus membros não raro são eleitos via sucessão familiar. Como primeira casa, é
mais influente, contudo seus membros não são tão numerosos e comumente
filiam-se as cortes reais afim de melhorar a imagem da Luz Aberon caso seja
necessário. Frequentemente seus membros são nobres e são eles que fornecem
apoio necessário aos demais membros quando solicitados.
Possui
como símbolo um pássaro negro com sete longas penas na cauda, tal representação
perdeu seu significado pelo tempo, possivelmente estava ligado ao Marco do
Leste, agora, seu real significado é um mistério.
Tércea Vasta Lúmem, é a casa
mais numerosa de soldados, seus membros são militares legítimos e os mais
fortes guerreiros da Luz, os Santos, geralmente fazem parte desta casa. São
eles que partem para as missões delegadas pela Corena ou ao seu próprio
entendimento, seguem pelo mundo combatendo o mau e levando as graças da Luz
Aberon por onde quer que passem. Possui como símbolo um lobo segurando uma
adaga e como os demais símbolos, seu significado acabou sendo esquecido.
Sena Louna Scyla, é a casa
do Navegante, sendo a ordem marítima da Luz Aberon, seus integrantes vivem em
navios transportando demais Aberons, desbravando o mundo e explorando os
segredos dos oceanos. São deles as maiores conquistas em termos de mapeamento e
recolhimento de relíquias da Luz, inclusiva a confirmação da existência e
ligação entre os Povos Não-Vistos de Larascaen e Farns com o mundo dos homens. Também
são deles a localização da famosa Ilha de Ilana. Seu símbolo é o Esguarde.[3]
Nesta
ordem a hierarquia somente existe entre o Aberon e o Capitão ao qual o navio
pertence. Devendo eles obedecer as ordens de Corena e Luéstia. Cada capitão
possui liberdade e autonomia que o deixa na posição mais confortável possível
entre os Aberons.
Em
cada uma das demais ordens de ataque a hierarquia se faz da seguinte maneira:
Probasta: é o
jovem que ainda será posto no treinamento na Academia da Santa Ordem. Há
limitações quanto a idade máxima de um Probasta que comumente não deve passar
dos dezoito anos.
Aberon Iniciado: é o
Aberon propriamente dito, o guerreiro que pode ser afiliado a um grupo
comandado por um capitão ou agir de maneira livre.
Aberon Letreae: é o
Aberon que não participa de assuntos bélicos, prestando seus serviços como
instrutor, copista, organizador e assuntos diversos delegados por Corena.
Capitão Aberon: é o
Aberon que possui sob sua tutela três ou mais Aberons Iniciados que o
acompanham em suas campanhas. Capitães não raramente fazem verdadeiros pequenos
exércitos e adotam denominações específicas para seu grupo como os famosos
Arcos de Pérola entre outros.
Comandante: Aberon
que possui a autonomia de delegar funções diversas a outros capitães e mesmo
formar pequenos contingentes com dois ou mais capitães e seus subordinados para
contar situações diversas em uma área. Geralmente esta é a patente ligada aos
administradores dos Marcos.
Lieron: Título
de Honra entre os Aberons que é dado aquele que possui voz no Conselho de
Luéstia para suscitar novas deliberações ou mesmo opor-se a elas, uma vez que o
próprio Lieron é um Aberon que pode assumir o posto de um dos membros do
Conselho caso haja vacância. Os Lieron são comuns em todas as casas Trígides.
Santo: são Aberons
cujos talentos mágicos e bélicos excedem expectativas e por sua vez fazem a
linha de frente na defesa da Luz como seus guerreiros mais poderosos e temidos.
Muitas histórias cercam aqueles que receberam estes títulos no passado, mas é
fato que de todos os Aberons, nenhum é mais temido pelos pertencentes as ordens
malignas do que aquele que recebe o nome de Santo. Por gerações sempre houveram
não mais do que dois ou três, mas na época do Grande Tristeza haviam sete
Santos, os maiores guerreiros da Luz que já houveram.
2.
CASA DE CORENA
Portando
como símbolo um olho estilizado, esta casa cuida do envio das missões aos
capitães, bem como os representa diante do Conselho de Luéstia. Formada principalmente
por Aberons Lieron, a Corena age como uma administradora da Luz por todo o
território em que esta age, seus membros são sempre pessoas ilustres e de
grande saber, obrigatório por causa da função que exercem como conselheiros
gerais da Luz.
Um Aberon
de qualquer uma das Casas Trígides que aceita a Casa de Corena, contudo, não perde
seu vínculo com a Casa a qual pertence, ainda mantendo seu título seja ele
capitão ou meramente Aberon Iniciado, pode descer em campo e participar de
batalhas, contudo, sempre atendendo ao chamado de Luéstia quando requisitado. Em
termos gerais, o Corena é o Aberon mais importante, pois é a ponte de ligação
entre os desejos de Luéstia e a movimentação organizada dos Aberon nos
territórios aos quais estes agem.
1.
O CONSELHO DE LUÉSTIA
Ordem mais
importante, possui como símbolo uma mulher segurando uma foice, que pelos
mesmos motivos apresentados, seu significado perdeu-se no tempo. O conselho de
Luéstia reúne os Aberons mais experientes e sábios que são escolhidos sempre em
número de doze, simbolizando os valentes que retornaram da batalha contra
Alan-Aldeque.
Estes doze
homens reúnem-se no Marco do Oeste regularmente onde analisam relatórios da
Casa de Corena e deliberam sobre a situação atual da Luz. Estas reuniões
demoram até semanas, pois tratam cuidadosamente de cada assunto concernente a
situação de cada capitão, sendo portanto a ordem mais poderosa. A identidade
dos Luéstia é mantida em sigilo e geralmente são vistos juntos pelos Aberons
apenas no momento de sua Sagração, pois estes homens participam anualmente deste
evento.
A ACADEMIA
DA SANTA ORDEM
O
treinamento de um Aberon é rígido, pois seus talentos devem não somente
englobar as aptidões físicas como também as mágicas em um nível no mínimo
intermediário. Pode-se dizer que os Aberons são os maiores guerreiros que já
existiram, uma vez que somente jovens de talento excepcional podem ser
escolhidos para a Ordem e ao passarem pelo ritual de libertação da Aura
tornam-se ainda mais forte e ainda pelo ritual da Sagração, em que seu sangue é
abençoado e com isto mortal a criaturas das trevas.
Todo
Aberon cogitado a participar da Luz por um capitão tem de necessariamente ser
um prodígio, não cabendo aí a escolha de jovens sem grandes inclinações ou
pouco promissores. Estes jovens eram então treinados nas bases da esgrima e
sobrevivência por alguns anos até que estivessem aptos a seguirem para a
Iniciação.
Para que o
candidato tenha uma base correta de ação, não é só na batalha que ele deve
obter habilidade, como também no estudo sobre as raças, Aura, magias e ciências
naturais e orgânicas. Com a Academia da Santa Ordem, o Aberon adquire o
conhecimento necessário para lidar com todo o tipo de situação. Ali o jovem
ingressa geralmente aos dezesseis anos e segue em uma preparação que leva dois
anos[1].
Nesta preparação é submetido a leituras obrigatórias que variam de livros
sagrados a almanaques antigos, também é iniciado em perícias médicas e em
rituais diversos para livrar-se de encantamentos, como conhecer a fundo as
criaturas não naturais do mundo.
Ao final
desta rotina estafante o Probasta é por fim Sagrado e Iniciado como um Aberon
que servirá ao seu capitão em campo. Aos que são permitidos fazê-lo, uma vaga é
garantida entre os que servirão em tarefas internas e assessoria, estes,
raramente entram em campo, pois preferem adquirir e expandir seus
conhecimentos. Muitos dos instrutores e cientistas da Luz advém destes jovens.
Com esta
formação, a Luz Aberon conseguir consolidar-se como a maior elite de guerreiros
e pesquisadores do mundo não percebido pelos homens e foi justamente seu
desligamento que semeou as crises que viriam.
Por volta
do século IX d.C. a agora fortalecida Igreja Católica criou a ORACLO, uma ordem
que era voltada para a defesa dos povos cristãos de ameaças demoníacas que
cercavam o velho continente. Tanto em sua descrição quanto em seu objetivo a
ORACLO Romana era uma cópia da Luz Aberon, que tinha grande poder e influencia
entre os reis europeus. A primeira decisão desta nova ordem foi tentar fazer
com que a Luz se incorporasse a ela, seu maior objetivo era apossar-se de sua
fortuna tida como inalcançável, vista conquistas e acúmulos da ordem ao longo
de mais de mil anos.
“Então
mais uma vez foi dada a escolha do dragão: os que professavam o amor do Cristo
Ressurreto, lobos vestidos em pelos alvos e brancos de cordeiro, dominaram os
poderes temporais e ousaram clamar-se a única salvação do mundo. Eles então
voltaram os olhos famintos para os mais ricos, a Luz Aberon. Com promessas vãs
tentaram os bastiões da humanidade na luta contra as trevas por séculos, mas
estes, sabendo da falsidade de sua fé enganadora a negaram. Não se nega os que
possuem as chaves do medo, e não há maior medo do que de perder sua alma para o
sofrimento eterno” (Sorrei, 1961)
Com a
resistência dos Aberons à ORACLO, a igreja Católica iniciou uma série de
acusações contra eles e como detinham não somente o apoio da temerosa
população, mas as “chaves do céu” o efeito foi imediato. Reinos cristianizados,
agora catequizados se desligaram dos Aberons e com isto as práticas de bruxaria
aumentaram significativamente. Ordens que travavam guerras quase internas como
a perigosa Bashda-Nímen tiveram uma mobilidade que não possuíam desde os tempos
do Império Romano.
Algumas
famílias nobres ainda resguardaram em si Aberons que temerosos com esta
perseguição, silenciavam-se. Contudo a ineficiência da ORACLO em lidar contra
seres violentos tornou-se cada vez mais evidentes. Não se pode ver um monstro e
apontar uma cruz e rezar, ele destroçaria o tolo em segundos e esta foi uma
lição dura e sangrenta. Entender que monstros e bruxas são seres físicos e não
manifestações etéreas do diabo foi algo que com muito sangue foi aprendido
pelos ORACLO.
Com isto
os reis reataram alianças tímidas com os Aberons e permitiram sua presença
livre, contudo, limitada a tão somente a proteção. Funções como o
aconselhamento, treinamento e mesmo alguma doutrinação foram proibidas por
serem consideradas blasfemas contra o deus do medo e das punições eternas dos
católicos.
Por poucos
séculos os Aberon puderam exercer seu ofício de maneira fraca e isto
intensificou a maldade no mundo. Antigas alianças entre as perigosas
Orloquianas foram refeitas e mais uma vez a tão temida ordem de Bordoro se
manifestava aumentando suas fileiras de bruxas. Enquanto isto no Oriente Médio,
berço da Luz Aberon a seita difundida por Maomé tomava forças tremendas. A Luz
Aberon que mantinha vínculo com os Emires e lideranças locais foi invadida por este
séquito de seguidores.
Não
demorou muito para que alguns poucos Aberons convertidos nestas doutrinas
forçassem uma cisão naquelas terras. Assim a Luz mais uma vez sofreu um golpe,
quando de sua quebra nasceu os Sabres de Alá. Este grupo fracamente treinado,
contudo, com todo o acervo da Luz sob sua disposição, substituiu por completo a
Luz Aberon. Uma prova de que uniões fortes com a religião e a política não dão
certo foi seu destino posterior. Os Sabres dividiram-se entre Brancos e
Vermelhos, cada um com uma convicção religiosa distinta e com lideranças
distintas que os apoiavam. A iniciativa dos guerreiros supremos do Islã
fracassou em menos de cem anos.
Uma lição
importante para os Aberons mais jovens que tencionavam uma união ideológica com
a ORACLO de Roma. Questões religiosas eram quase inexistentes na Luz, todos os
Aberons sabiam dos textos bíblicos, pois estudá-los fazia parte do calendário
na Academia. Todos eles eram cristãos convictos, mas sabiam que fanatismos e
doutrinas que pregam um fim de maldição eterna não condizia com os ensinamentos
do Cristo Ressurreto.
Isto
inflamou ainda mais Roma e impedida de travar uma luta aberta contra os
Aberons, pois eles de certo eram muito mais poderosos, decidiu criar uma
verdadeira elite de guerreiros. Copiando os padrões dos Aberons de treinamento,
contudo, inserindo elementos sagrados para facilitar a lavagem cerebral dos
jovens, iniciou dentro de si uma poderosa série de doutrinas que acabaram por
criar uma verdadeira elite de soldados.
Os ORACLOS
que viveram a partir do séc. XII eram completamente diferentes, muito mais
militarizados, poderosos e numerosos, forjavam-se por vezes nas cruzadas e nas
guerras diversas afim de perderem qualquer tipo de temor. Esta nova ORACLO
cruel, atrevida e dissimulada imitou mesmo o conceitos dos Santos Aberons em
seus Apóstolos da Nova Era, homens impiedosos, versados nas mais refinadas
artes da tortura que alastravam o medo e a vergonha entre os pertencentes as
vertentes mais sombrias da magia.
Não
demorou muito para que uma guerra estourasse entre as orgulhosas Orloquianas, a
bruxas mais antigas da Europa e os ORACLO irrompessem. E foi o que aconteceu
logo após a guerra do Sete Estrelo. Embora mais fortes que estes romanos, tais
bruxas eram em número bem mais reduzido e os Aberons assistiram a criação da Ad
Extirpanda como consequência de todo aquele conflito. A Era da Tristeza emergia
e com ela o Grande Silêncio.
Sem o
apoio dos reis, com as famílias nobres temerosas com tamanha crueldade e
fogueiras sendo acesas em espetáculos grosseiros, A Luz Aberon decidiu cessar
suas atividades em 1326 d.C. no continente Europeu, vindo a mudar completamente
sua sede para o Marco do Oeste, nas ilhas Britânicas. Poucos foram os Aberons
que permaneceram no continente lutando sozinhos, e por duzentos anos a Igreja e
a ORACLO dominaram o mundo.
Contos
sobre a Grande Guerra do Sete Estrelo, A Segunda Praga Divina e as Guerras
Ocultas tornaram-se mitos, figuras importantes como o grande Aberon Hunter,
Natacha, a Bela e Elvar a infinita beleza, tornaram-se raras. Ações envolvendo
Bashda-Nímen quase cessaram e cada vez mais o mundo perdia suas cores e se
encerrava em segredos agora hereges.
No século
XVI os Aberons que viviam na Inglaterra presenciaram um evento decisivo quando
Henrique desligou-se da Igreja de Roma por um motivo quase banal. Nos atos que
foram desencadeados, o monarca refez aliança com os Aberons, que agora pela
exclusão das doutrinas de Roma, não mais eram inimigos. Isto fez com que a Luz
recuperasse um pouco de seu poder. Aqueles foram tempos bem esperançosos para o
mundo em geral. A conquista do Novo Mundo[2] e
a possibilidade de expansão comercial e territorial massacrou populações
nativas e banhos de sangue foram declarados como feitos heróicos em terras como
a Espanha.
A Luz
Aberon sentiu a necessidade de intervir como podia no novo mundo, especialmente
nas terras em que as colônias britânicas mantinham poder. Mas suas ações foram
frustradas pelo nascimento de um novo grupo de proteção que se chamou Wix
Teléia. A Wix era mais complexa em sua estruturação e seus seguidores agiam
como se participassem de uma verdadeira seita. Sob sua tutela uma luta bem
diferente iniciou-se nas colônias inglesas e vista a efetividade destes homens,
a Luz resolveu não interferir em seus assuntos limitando-se a enviar poucos
Aberons para agir nas terras das Américas.
O mundo
sem perceber, sofreu ainda grandes conflitos travados pelos Aberons e no século
XIX estourou uma grande revolta na Índia quando o império enviou tropas para
conter um grupo de famintos rebeldes. Lá o Capitão Aberon Ramon Sahen tomou a
frente na defesa dos inocentes e massacrou o contingente inglês e o fez
sozinho, para provar que ainda eram os Aberons guerreiros poderosos. Este gesto
apoiado pela Luz foi visto como uma suposta traição, mas o líder do Conselho de
Luéstia foi bem duro ao afirmar ao rei:
“Não
traímos a ninguém, inocentes foram defendidos e os agressores aniquilados. O
rei acha que é nosso dono, por causa do apoio secular que a coroa nos tem dado,
mas ninguém é dono senão Deus e não há homem ou mulher que aos Seus olhos seja
diferente. Sobrevivemos aos Fenícios, Persas, Israelitas, Romanos, Franceses e
a Própria Igreja Católica, não há força terrena que nos fraqueje”
Este
comentário dito em bom som diante dos lordes e do próprio rei foi visto como
uma imperdoável traição e sumariamente Ramon foi condenado à forca, mas o
Aberon apenas exibiu o punho cerrado, para que todos ali recuassem amedrontados
pelo seu poder. Deste dia em diante mais uma vez a Luz Aberon foi afastada da
proteção do povo.
Neste
mesmo século o Sete Estrelo voltou a manifestar-se no mundo e grandes atos
foram desencadeados. A Luz foi invocada, contudo não houve resposta, pois o
pacto firmado no passado com este grupo a impediu de agir. Ordens como ORACLO
também não passaram incólumes pela passagem do tempo e a agressiva ordem
Exorcista Romana surgiu para atiçar antigas rivalidades. A Luz obteve uma
grande vitória sobre estas ordens recentes na batalha de 1898 contra a ameaça
pagã de Estalar, mas sua resistência em abandonar hábitos considerados
ultrapassados como a restrição ao número de aceitos na Academia ou os treinos
nas artes da esgrima acabaram por desvirtuar esta vitória.
O início
do século XX, suas guerras e revoluções passaram despercebidos aos olhos dos
homens e mulheres que viviam pelos lados contrários à realidade. De modo que
pouca relevância teve para as antigas ordens, muito embora as mais recentes
militassem ferrenhamente quanto podiam. Mas um evento em especial sinalizou uma
profunda mudança nos temas, em 1956 Gustaf Olve, maldito líder de Bashda-Nímen
foi capturado pelo exorcista Fernando DiCastro e enviado ao Vaticano para
administração de sua justiça divina.
Era comum
entre estas grandes ordens ter espiões inseridos entre seus membros e não era
nenhum pouco assustador quando informações vazavam. Mas ter um líder de ordem
aprisionado era não apenas constrangedor, como também um feito memorável, mas
não menos merecedor de desconfiança. Isto fez com que Bashda-Nímen fosse
desmantelada e suas sedes destruídas tanto pela Exorcista quanto pela Wix
Teléia.
Em 1970 a
ORACLO foi oficialmente dissolvida. E em 1976 a Luz Aberon cessou oficialmente
suas atividades, vindo a agir em anônimo do mundo e sem ligação com ele. Os
Aberons remanescentes das Casas de Corena e das Trígides silenciaram seus
Marcos, contudo, ainda há Aberons que em segredo divulgam a Luz e seu
ministério, lutam contra as poucas ameaças que ainda persistem no mundo e acima
de tudo, lembram os homens dos feitos do passado e do orgulho de ser um
combatente da Luz, para levá-la as sombras do mundo, para proteger aqueles que
entram em contato e para persistir, pois há mais de três mil anos a Luz Aberon
existe e existirá enquanto houver fôlego nos pulmões de cada homem.
[1] A
questão da idade de ingresso na Academia se dá pela libertação da Aura, que
envolve um doloroso ritual que não pode ser efetuado em pessoas mais jovens sob
a quase certeza da morte do iniciado.
[2]
Novo mundo para os Europeus comuns, uma vez que Aberons da Casa Trígide Sena
Louna Scyla já faziam há quase dois séculos viagens até lá.